segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O Mistério do Planeta

Para que eu me liberte de um sentimento, preciso gastá-lo. Irremediavelmente assim, todas as vezes, com todos os sentimentos. Quando eu tenho raiva, eu tenho muita raiva. Muita, muita, muita, até que eu olhe para ela e veja-a se tornar indiferença. Quando eu tenho amor, eu amo muito. Amo,amo, amo. Sendo por alguém e tendo reciprocidade, a tendência é continuar amando (ou não!). Não tendo eco, eu amo do mesmo jeito. Porque o amor é meu. E faço questão de que saibam. Não disfarço, não dissimulo, não me escondo. Escancaro o peito e mostro: Aqui quem habita é você. Não suportaria a dúvida e o "como seria se". Prefiro mil vezes a certeza do dissabor, que a cegueira da covardia. Vou até o limiar do sentimento para que, ao expurgá-lo, não fiquem vestígios, mas sim transformações. Trago comigo a leveza dos que tentam. Eu me conjugo neste verbo. Passado, presente e futuro.




Eu tentei
Eu tento
Eu tentarei

Sempre.




Jogando meu corpo no mundo.



.: Dedico este post também ao querido Lucas Sande, que transcendeu a existência terrena e jogou sua alma no universo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Exorcismo

Eu deixo você ir
Mas não esqueça a Lavradio
Nem a Channel em casa

Eu deixo você ir
Mas não esqueça o escondidinho de carne
Nem o telefone fixo

Eu deixo você ir
Mas não esqueça a pedra
Nem o meio termo do chuveiro

Eu deixo você ir
Mas não esqueça da vitrola
Nem de Ella and Carlos

Eu deixo você ir
Mas não esqueça o apartamento escuro
Nem o banho no breu

Eu deixo você ir
Mas não esqueça o som de Baby
Nem que dentro da menina, o menino dança

Eu deixo você ir
Mas não esqueça os 7 filhos
E da passagem para Abril

Eu deixo você ir
Porque é o que me resta
Eu também já vou, porém sem pressa
Só não esqueça.



quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Cacos

De novo, eu me refaço. Desses frangalhos provocados por mim mesma, me reconstruo. Sempre sei dos riscos ao me lançar na vida. Ao apostar no invisível e me deixar guiar pelo faro confuso e intenso dos sentimentos. Eu sou dessas pessoas que sempre pagam pra ver. Não sei até que ponto isso é ruim ou bom. Na real, perdi esse discernimento há algum tempo, pelo bem de mim mesma. Bom é o que me faz bem, ruim eu não conheço. Prefiro achar que é aquilo que não foi assim tão bom. Porque se a gente for olhar minunciosamente, sempre é bom, de alguma forma, para alguma coisa. Sempre é. Por isso que eu vou lá e pago mesmo. E me entrego, vivo, suo a camisa orgulhosamente. Evito a sensação daquela música de algum ex-Titãs: "Devia ter arriscado mais, ter feito o que eu queria fazer...". Eu não devia nada. Sigo o meu faro e não tenho essa dívida. Não fico devendo nada a ninguém. O que não significa que eu não tenha medos, receios, claro que os tenho. Mas escolhi não petrificar. Eu sou movimento, vento, onda, água de cachoeira. E não fico devendo nada a ninguém. Principalmente a mim mesma, jamais.

Hoje me refaço, mais uma vez, em meus frangalhos. O amor sempre vale. 


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Não esqueça de lembrar.

Acordo e é a primeira cena que me vem a cabeça: Os teus olhinhos caídos e a sua boca côncava. A testa franzida, quase juntando as sobrancelhas. A minha respiração de grávida ainda mais ofegante e o gosto do sal das lágrimas em minha boca. O teu abraço apertado sem me deixar partir. O meu corpo amolecido, implorando por ficar. As tuas últimas súplicas: "Fica...". A dor dilacerante no meu peito, as pernas que não obedeciam o curso de descida das escadas. Você dentro de casa. Eu parada no meio da escada, sem conseguir descer nem subir, com um "PORQUE?" enorme rondando minha cabeça. Um não, vários. Resta, agora, uma angústia enorme e diária. O medo de vir a ser apenas uma lembrança boa, de que a gente vire um céu nublado e a clareza da grande probabilidade desses acontecimentos rasgando o sonho de um futuro pra três. Seja como for, seja o que for,só te peço que não nos esqueça. Mais do que isso: Que não nos reduza. A gente é enorme.

E que seja doce...



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Pé na Tábua




Furacão.
Tempestade.
Vendaval.

Calmaria... Calmaria...
Calmaria-quase-tédio.

Destino.
Mistério.
Borboletas no estômago.
Destino cruel.

Fé...


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Anunciação.

Mulheres, engravidem! Isso mesmo, se vocês tem vontade, engravidem! Eu sei que tem todo esse papo de "não tenho uma estrutura para larilarálará...". Certo, acredito que há de se haver uma prudência, mas a estrtura se cria! Não dizem que a ocasião faz o ladrão? A gente trabalha para depois receber, não é mesmo? Uma coisa é consequência da outra. Acredito que com a maternidade, surge a estrutura para ela. Fato é que eu achava que já tinha sido feliz. Eu achava que já tinha tido um grande amor. Eu achava o meu corpo bonito. ACHAVA. Pode parecer clichê,  mas ser feliz é isso que eu sinto! É passar horas a fio acarinhando uma pequenina barriga, é conversar sozinha. Se tornar plural. Não sou mais eu, somos nós. Nós estamos bem, nós vamos viajar, nós comemos muito. É um amor... É um amor... Que é amor, sabe?! Só isso e tudo isso. O corpo fica mais bonito, a pele fica mais bonita, cabelo, olhos, coração... Tudo. Que vem de dentro pra fora. Meu corpo não é somente meu corpo. Agora é a casa do Inácio. E é assim que eu o vejo, meio como um santuário. Muito mais dele do que meu. Porque é para ele que meus peitos crescem, que a minha barriga cresce, que o meu rosto arredonda, que a minha bunda pesa. Para ele, pro conforto dele. E eu fico enormemente orgulhosa em poder oferecer o meu corpo, meio quarto-e-sala, para que ele se esbalde. 


Sou sua, Inácio! Obrigada por viver em mim.


Eu queria poder postar essa foto como ela realmente é. Mas sei que a pequenez humana ainda prevalece e mesmo com essas tarjas pretas ridículas, ainda serei criticada por ter postado. Eu, realmente, lamento ( e cago e ando, também!).

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Salve Simpatia!

Tanta coisa aconteceu nesses últimos meses... Uma guinada total na minha vida. Abrindo mão dos meus maiores prazeres, e descobrindo outros tantos, incomparáveis. Mudei de casa, de rotina, até de número do sutiã. As amizades também mudaram. Existem fases nas nossas vidas que funcionam como verdadeiras peneiras. O suco passa, o bagaço fica. Aí quando você vai olhar o que ficou na peneira, muitas vezes se surpreende, não entende porque aquilo não passou para o copo, já que sempre bebeu daquela fruta. "Talvez seja necessário jogar um pouco mais de água", pensamos. Jogamos e nada. O bagaço continua lá. Mas também existe surpresa com o líquido altamente selecionado que passou. Surpresa das boas! E certezas também... É o momento em que olhamos para lá e falamos: "Ah, você eu sabia que estaria aí!". Mas alguns "sumos", são verdadeiros tesouros impensados. Jamais acharíamos que estes passariam pela peneira, e eles não só passaram como dão todo o sabor ao suco, que tem alimentado minh'alma e nutrido tão fortemente o meu coração e o meu ventre de amor purinho, purinho.




Aos meus sumos, muito obrigada!


.: Texto dedicado especialmente à meu Lorenão, meu presente do bar da cachaça... Prix.