Para mim, sempre foi difícil aceitar o fim das coisas. De todas elas. Não gosto quando acaba a lasanha, a nutella, o final de semana, o amor. Tenho ainda a idéia cafonamente romântica de que alguns amores são para sempre. Mas, para minha desilusão, eles, os para sempre, também acabam. Por falta de cuidado, por desavenças, por...por...por... por simplesmente ter "chegado a sua hora". E eu me debato, esperneio, insisto, sangro, mas não adianta. É preciso aceitar. E enquanto se dá esse processo de aceitação, vocês me perdoem, mas eu vou continuar falando sobre, questionando, interpretando, perdendo o sono. Sei que não sei, mas, como diz meu eterno amor (sim, eu insistindo no eterno) Edu O., preciso aprender a lidar com o prazo de validade das coisas. Sem que isso venha com a força do descrédito. É cafona, é piegas, é infantil. é demodê. E daí? Eu, continuarei acreditando. E, desse modo, existindo.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Super EU.
E onde está a lógica? Onde encontrar explicação para o presente vivido? Presente da vida! O que fazemos com ele? Congelamos? Esperamos para ver, futuramente, "no que dá", até que ele se torne nada além de passado. É muito mais fácil lidar com o que "não deu" do que com o que é! Porque aquilo deveria ser o que é! S-E-M-P-R-E! O toque na mão, deveria ser o toque na mão! Assim como o toque no cabelo, o olho no olho, a saliva. A troca imediata. E eu digo deveria porque nem sempre deixamos que as coisas, simplesmente, sejam. Aquilo que está acontecendo tem a força do ESTAR. Por mais que amanhã torne-se um FOI, recheado de risadas, ou mesmo de vergonha e constragimento. Quando estava sendo, estava. Que medo absurdo é esse que temos do SER?! Eu SOU eu, hoje. Amanhã, provavelmente eu FUI eu. Mas aí hoje, eu SOU de novo. E, graças a vida e a sequência de SER todos os dias, é que eu, fiel a mim, existo.
.: À Laura Marini, o meu presente.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Xuxexu!
Posso falar que hoje estou especialmente feliz. Geralmente não sou muito de celebrar datas, nem mesmo o meu aniversário, mas o dia das crianças sempre me dá uma energia. A gente se sente no dever de estar alegre. Aí eu acordo, e numa busca aflita por pilhas para um controle remoto, eis que descubro uma vitrola! Velho, eu achei uma vitrola! Usei de toda a minha habilidade "Pereirão" (favor ver a novela das 21hs) e, para a minha surpresa, consegui fazê-la funcionar! Como se não bastasse, ainda achei uns 40 vinis!!! Praticamente uma mina de ouro né?! Dentre tantas preciosidades como Clara Nunes, Cazuza, Michael Jackson, Alcione, eis que me deparo com a coleção completíssima dos discos de Xuxa. Prontamente pus para tocar. Me senti voltando no tempo, lembrando de quando eu imitava ela em casa, com o meu microfone da Xuxa, que tinha uma carinha e cabelinhos. Aí hoje eu vejo o quanto falam mal de Xuxa. Confesso que eu mesma já falei algumas vezes. Agora penso, não temos esse direito. É como cuspir no prato que comeu. Porque atire a primeira pedra quem aqui nunca dançou nenhum hit da Rainha dos Baixinhos! Quem não ficava esperando a nave Xuxa chegar e não ficava arrasado, ou até mesmo chorava, quando esta se despedia da Terra? Qual menina, naquela época, não teve, mesmo que uma mínima vontade, de ser paquita, ou estar no Xou? Me diverti muito com Dengue, Praga, e chorei quando o cãozinho Xuxu morreu (chorei agora ouvindo a música). Os filmes estrelados por Xuxa, perdi as contas de quantas vezes assisti. Lembro de um que era numa casa de férias, meu sonho eram umas férias daquelas! O dia em que Xuxa decidiu acabar com o programa e ir embora para a Argentina (foi isso mesmo?) acho que eu já estava maiorzinha e fingi não ligar. Eu estava na casa da ilha, com a minha família e tive que engolir o choro, que liberei depois, sozinha na praia. Aí a gente cresce, fica feio, rídiculo. Perde o sonho, a magia, o encantamento colorido da infância e passa a criticar quem ainda não perdeu. Tudo bem, Xuxa não é mais a mesma, mas quem disse que as crianças são?! E, apesar de todas as críticas feitas, sim, ela ainda é a Rainha dos Baixinhos. Quem tem filho pequeno, sabe bem disso. Já dancei muito "Xuxa Só Para Baixinhos" com meu irmão menor e era a única coisa que deixava ele paralisado na frente da TV. Então, caros colegas, vamos deixar Xu-xu-xu Xa-xa-xa viver a vida dela. Afinal de contas, ela já viveu nas nossas durante muito tempo!
FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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sábado, 1 de outubro de 2011
Ah, Dinorah, Dinorah!
Estive lendo umas coisas de Caio Fernando Abreu (pra variar) e conheci o livro "As Frangas", onde ele conta histórias de suas galinhas, dedicado à Clarice Lispector, "que também gostava delas". Pois bem, também tenho uma história de galinha pra contar. Na verdade, convivo com galinhas desde muito pequena, nas minhas idas ao sítio de minha vó Edite, em Serrinha-BA. Vou te falar que nunca fui muito amiga das ditas aves, gostava mesmo era dos pintinhos. Depois que cresci, meu único contato com galinhas, era no prato, assada ou cozida. Até o dia em que ganhei uma. Foi em Outubro do ano passado, eu estava em uma fase de mudanças fortes na minha vida, saindo de casa, indo morar sozinha. Comprando coisas para a casa nova, empolgada e nervosa. Foi quando ela me apareceu. Foi meu primeiro presente de casa nova, dado pela mãe de Edu, a elegante e fina, Excelentíssima-Senhora-Dona Dinorah (Ah, Dinorah, Dinorah!!!) , Dino para os íntimos e , no meu caso, intromeditos. Desde quando conheci tal Excelentíssima-Senhora-Dona, que ela me amou. Eu sei disso, ela nunca me contou, mas eu sei. Porque desde o primeiro momento fui xoxada (favor pesquisar o termo no dicionário santamarense) por esta personalidade. E quando ela xoxa alguém, assim, de primeira, é porque gostou. No meu caso, me expulsou da mesa do café porque já estava demorando demais e ela também gostaria de se servir. Assim, singela, bem delicada, como lhe é costumeiro. Mas ela me comprou a galinha. Me falou que tinha um presente para minha nova casa. Ao me entregar , todo embalado em papel bonito, como não poderia deixar de ser, me disse: " Toma, que lhe é imagem e semelhança". Eu, inocente, logo pensei: "Deve ser uma boneca linda, como eu". Era a galinha. Uma galinha-paliteiro. Foi amor à primeira vista. Levei ela para casa e lhe conferi um lugar de destaque, em cima de um tronco cortado de árvore que eu tinha na "sala" da minha kitnet. A minha galinha não tem nome. Acho que porque ela tem cara de galinha mesmo. É de gesso, branca, bico laranja e um matinho verde debaixo dela. Tem um buraco nas costas, que é onde, supostamente, ficariam os palitos, mas essa função foi desprezada. Ela carrega é dinheiro. Como nunca tive santo nenhum para rezar ao pés, fiz da galinha a minha protetora. Tudo que eu preciso, peço a galinha. E, pasmem, ela atende. Já me arrumou namorado, emprego e muito mais. Edu, quando precisa de alguma coisa, me liga: " pede a galinha, fia!". Até arrumei comida pra ela. E nao é qualquer comida, é "comida de Santo". Milho que eu trouxe de uma festa que fui num terreiro de candomblé, em Salvador. Olhei pro milho e pensei: "Ela vai gostar!". Dito e certo, a danada ficou foi feliz! Ai decidi me mudar novamente, dessa vez de Estado. Encaixotando coisas e tendo que decidir entre o que ia e o que ficava, olhei para a galinha e não titubiei: " Vamos para a Cidade Maravilhosa, cacarejar por lá, minha Santa!". E ela foi comigo no avião, dentro da bolsa, junto com o seu ungido milho . Hoje, moramos juntas em Vila Isabel. Arrumei prontamente um cantinho especial para ela, onde remontei o seu mini-altar. Agora ela fica lá, toda prosa, cacarejando cheia de "xis", dizendo que já pegou o sotaque da nova terra. Ah, bichinha exibida!
"...Sempre acho que a gente pode continuar querendo agradar a quem já morreu. Gosto de pensar que quem ja morreu fica num lugar quentinho, que a gente nao vê, cuidando de quem ainda não morreu. E se voce quiser agradar essa pessoa, é so fazer coisas que ela gostava. Aí ela fica ainda mais quentinha e cuida ainda melhor da gente..."
.: Ao Caio Fernando, que está lá no seu lugar quentinho.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Pensar é estar doente dos olhos
Ontem entrei numa livraria para fazer hora enquanto aguardava por amigos e me perdi nos poemas de Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa. Tive felizes surpresas ao recordar coisas que havia lido há tanto tempo atrás. Como ando meio desleixada com o blog ultimamente, decidi trazer aqui um dos poemas dele de que mais gosto. Quando não conseguimos nos expressar, sempre tem alguém que faz isso pela gente! Acho que ando sem querer pensar, ando vendo.
- (Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914)
"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar..."
domingo, 24 de julho de 2011
Leiga
Sempre que volto de um concerto, tenho vontade de escrever. Acabei de chegar de um, no Theatro Municipal. É engraçado observar as diferenças de comportamento dos cariocas e baianos. O concerto foi à tarde, as 16 horas, então eu, ingenuamente, pensei: "Ah, não precisa ir nas pompas né?!". Errado. O povo aqui é chique, bem. Ainda mais no frio e no Municipal. Tudo bem que não fui mulambenta, mas fui com minha roupa TCA. Caros soteropolitanos, roupa de TCA para o Municipal, é traje esporte. Pois bem, conformada com minha pequena gafe, sentei (no camarote, porque sou muito bem relacionada) para apreciar o concerto. Já disse antes que não entendo nada a respeito de instrumentos, notas, óperas, sinfonias. Vou porque gosto. Aí fiquei observando os músicos e comecei a relacioná-los com seus instrumentos. Os violinistas parecem ser gente bem chata, sabe? Aquele povo perfeccionista, que não deixa uma poeira sequer no móvel de casa e carrega álcool/gel na bolsa.Devem ser todos virginianos. A galera do baixo e o rapaz da tuba não são, mas deveriam ser todos gordos. O som deles tem cara de gente gorda comendo muito. A turma do Oboé...não sei, mas acho que eles queriam mesmo era ser maestro. Os flautistas não. Eles queriam ser hippies, tocar para as borboletas. Talvez o façam, quando se aposentarem. A galera das trompas...putz! Só podem ser doidões. Ficam soprando aquele troço, o olho esbugalha, a buchecha infla. Sei lá...eles tem cara de doidões, mesmo trabalhados no traje de gala. O rapaz dos tímpanos, bom, poderia facilmente ser professor de física. Muita cara de professor. Aí tem o povo do fundão. A percurssão. Na verdade, quando pequenos, eles sonhavam em tocar no trio de Daniela Mercury, no carnaval de Salvador. Os pais, muito preocupados, os matricularam numa escola de música a tempo de salvar suas almas. E o maestro. Aí a coisa é séria. Foi colega de Amy na adolescência, papai e mamãe mandaram pra rehab aos 16 anos, ele ficou por 2 meses, depois disse "no, no, no". Saiu de lá com diagnóstico de Esquizofrenia, frequentou psiquiatra e psicólogo, daí sublimou. Virou Maestro.

sábado, 23 de julho de 2011
And I wake up alone...
- O que é isso?
- Só escute.
...
- PUTA QUE PARIU! Quem é essa negona?!?!
- Negona? Acho que não... Essa é Amy Winehouse.

Discursos hipócritas, de gente careta e retrô, jamais diminuirão o valor da maior e única Diva que surgiu nos últimos 27 anos. Queria escrever muito, mas é desnecessário. Ela mesma estaria C-A-G-A-N-D-O pra todo mundo... Assim sendo, vou alí, tomar um bom conhaque.
Brindemos!
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