Era uma vez a Menina-Coração. Romântica que só ela, apaixonada que só ela e cansada que só. A Menina-Coração andava cansada de ser ela. Há sete anos lutando por um coração menino, ela já se encontrava sem forças, esgotada. Um dia, enquanto passeava com o menino dono do seu coração, a Menina se esbarrou com o Aventura. Naquele primeiro contato foi inevitável que a Menina não percebesse o brilho do sorriso e dos olhos do Aventura, mas no coração não fez nem cócegas, afinal, este estava nas mãos do menino. Mas, como eu ia dizendo, a Menina já estava cansada e resolveu pedir ao menino que lhe devolvesse o seu coração. Ele não queria, dizia que era dele, que sempre foi, mas a Menina estava mesmo obstinada. Foi lá e tomou. Com o coração na mão, a Menina resolveu sair de cena e viajou pra longe, em férias merecidas. No último dia do seu descanso, lá estava ela andando sozinha pelo mar de gente formado pela euforia da festa da carne, quando de repente ela o avista. Era ele, o Aventura. Se olharam, se reconheceram, se cumprimentaram... E se beijaram. O coração da Menina, que ainda estava nas mãos, foi parar na boca! E, curiosamente, ele também estava com o dele na boca! Sem que percebessem, ao se beijarem, um acabou ficando com o coração do outro. Ela voltou para sua casa distante, com o coração dele. Ele voltou para a estrada, com o coração dela. Separados, mas pulsando juntos, os dois decidiram se reencontrar depois de algum tempo, em outro paraíso. Ah, era bonito de ver a alegria e sintonia daqueles dois! Mas, perto deles, tinha a bruxa Cha. A bruxa Cha queria muito o coração do Aventura, mas ela não sabia com quem estava! Ao ver a Menina com o coração trocado, a bruxa não pôde se conter! Tratou de jogar um feitiço desses bem feiticeiros, pior que boca de sapo, pior que ebó de encruzilhada, e tomou o coração do Aventura pra si. A Menina acabou ficando sem o coração dele e também sem o coração dela, que ele nunca devolveu. O que a bruxa Cha não sabia, era que o feitiço tinha prazo de validade. Então, quase dois anos depois, o Aventura conseguiu seu coração de volta! E o destino se encarregou de colocá-lo frente a frente com a Menina novamente. Ao ter o seu coração novamente batendo no peito, Aventura decidiu devolver o da Menina. Eles se olhavam e uma sensação de topor, tomava conta da alma dos dois, que brincavam feito crianças na chuva, na escada, na sinuca. Tinham coisas que a Menina só conseguia fazer e ser, com e pelo Aventura. E via-se que virce e versa. Diversas vezes, o coração da Menina teimou em vir parar na boca, por isso, ela achou mais seguro não beijá-lo, ficou com medo de que trocassem de coração novamente. A Menina agora já não quer mais dar seu coração pra senhor ninguém. Ela voltou para sua casa agora não tão distante da dele. Ele se foi pensando nela. Dizem por aí que por conta da Menina ter negado o coração pro Aventureiro, este decidiu roubar seus pensamentos... Se isso é verdade? Vai saber né...
segunda-feira, 11 de junho de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
Eu vim da Bahia.
Tudo o que eu venha a dizer aqui ainda será muito, mas muito pouco para definir o encantamento da noite de ontem. Me travam as palavras. Só posso acreditar que tudo aquilo é divino. Gil, Orquestra Petróbras, Theatro Municipal. Uma junção que não teria como ser menos do que divina. E lá estava eu, mais uma vez no Theatro Municipal (desta vez sem gafes, juro!), onde já senti tantas outras emoções, sempre boas, sempre belas, sempre sublimes. Mas agora era Gil. Nada menos do que Gilberto Gil, acompanhado pela orquestra. Eu, sozinha na minha cadeira, tinha as mãos geladas de ansiedade. Quando estamos distantes do nosso ninho, qualquer coisa que nos remeta a ele é um carinho no coração. Não foi por acaso que me derramei em lágrimas quando Gil chegou, na sua mansidão costumeira, com sua voz e violão aveludados, cantando " eu vim da Bahia cantar, eu vim da Bahia contar, tanta coisa bonita que tem, na Bahia, que é o meu lugar...". A minha vontade era subir na cadeira e cantar junto com ele, bater no peito e dizer que eu também vim de lá! E ai, que saudade eu tenho da Bahia! E eu nem sabia que tinha essa saudade. Porque a má administração da Bahia e de Salvador turvam nossas vistas e não deixam que a gente sinta falta dela, pelo contrário. Mas ver Gil alí, do auto dos seus 50 anos de carreira, tocando Jimi Hendrix, cantando à Bahia e entoando novas composições, inflou meu peito e me encheu de orgulho de ter dendê correndo nas veias. O que vi e ouvi naquela noite, eu vou levar pro resto dos meus dias. Se existe Deus, anjos, dentre tantas outras representações celestiais, estavam todos, todinhos presentes naquela comunhão. E eu só tenho que agradecer à vida por poder ter testemunhado.
Muito orgulho em ser baiana.
Parabéns a todos que fizeram parte desse espetáculo, especialmente ao querido maestro Carlos Prazeres, sempre genial.
sábado, 26 de maio de 2012
Entre o mar e o entardecer.
Eu me deixo enebriar. Na verdade não é questão de deixar-se ou não. Não há múltiplas escolhas, não há sequer uma única opção além de me enebriar. Do teu cheiro, teu sorriso, da luz radiante dos teus olhos que me invadem cada vez mais profundamente e me desnudam, me deixando aterrorizadamente nua. Nua das vestes, das armaduras, rancores, mágoas... Passados. O azulejo que vem de ti me põe no presente. Me renova. Me faz pensar que nasci hoje. E amanhã eu acordo, achando que acabei de nascer. Com a alegria de quem tem um mundo novinho para viver pela frente. A minha alegria que vem de cada passo cadenciado seu, valsando minha vida. E eu? Ah, eu estou aqui!... Dancemos!
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Carreira, dinheiro, canudo.
Não sei o que está acontecendo comigo. Sinceramente não sei. Sei que não estou muito bem, mas não sei em que parte. Tá bom, é mentira, eu sei. Mas poxa, estou metendo a cara no trabalho, ficando em minha casinha bem bonita, tentando me sossegar... Dá pra fazer efeito?! Uma ansiedade que não passa, taquicardia, mãos geladas, cigarro Hollywood vermelho (o cigarro do sucesso). Quero sarar! Aliás, quero sarar logo! Porque eu sei que vou sarar, eu sempre saro... Mas eu queria sarar hoje! Tipo entrar no banheiro e quando sair, sair curada. Estou cansada. Essa necessidade incessante de ti que não passa nem com choque elétrico. Quem lhe chamou?! Quem lhe convidou?! Achou a porta aberta e foi entrando... Pois eu ordeno que retorne de onde veio! É lá que você tem que ficar, no lugar que lhe cabe. Nada de ficar invadindo meus sonhos, minha cama fria, minha tarde de tédio. Vê se me deixa logo em paz... Ou, definitivamente, não!
"Eu adoro um amor inventado."
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Ciclotimia
Tem momentos na minha vida, que se eu não escrever, morro sufocada. Uma vontade louca de escrever pra não ter que falar. Para mim é muito mais fácil rabiscar os sentimentos num papel, do que gritá-los. Deve ser covardia o nome disso... Mas às vezes ser covarde é a atitude mais corajosa que se pode ter. Estou aprendendo a dar novas direções a energias que seriam desperdiçadas. Jogamos fora uma quantidade enorme de energia investida e sem retorno. Eu agora redireciono. No trabalho, no estudo, no blog, ou em qualquer outra coisa que dependa somente de mim. E que a mim retorne. A salvação sábia é egoísta. Oferendas ao nada, não mais.
"E quantos de nossos esforços e sacrifícios são, na verdade, 'oferendas' ao nada?"
(A Alma Imoral)
domingo, 13 de maio de 2012
Cybersozinhos
Dia das mães e eu aqui pensando em pessoas especiais. Não sei, às vezes penso o quanto esse excesso de informações e contatos e amigos e festas e noites e..e...e..., o quanto esse imediatismo atual prejudica o conhecimento real das pessoas. O quanto tudo tem a velocidade do som. E como as coisas começam e terminam nessa mesma velocidade. Tornamo-nos descartáveis pelo excesso. Porque são tantas relações sociais e virtuais, que se conhece todo mundo e não se conhece ninguém. Estamos formando a geração mais solitariamente social da História. Não se tem tempo para sintonizar amizades, amores. Nem mesmo desafetos. Tenho a sensação de estarmos sempre na superfície. Sem muito interesse nas profundezas. E eu acho tudo isso muito triste.
.: Ao meu bem, Felipe Vasconcellos, que em datas comemorativas, me salva da solidão me emprestando sua família ( Te amo nas profundezas!)
domingo, 6 de maio de 2012
Fé cega, faca amolada.
Após uma conversa com a amada Laura Marini, meio com sono, meio bêbada, ao chegar em casa de mais uma noite de risadas e avacalhações, fiquei a pensar no sentido de Deus na minha vida (sim, nós chegamos e ficamos conversando sobre religião, porque na TV estava passando a missa de domingo...rsrs). Já sei, já sei, religião, futebol e política, não se discute. Mas eu não estou aqui pra discutir. Durante muito tempo na minha vida, frequentei centro espírita e posso falar tranquilamente que entendo bem do assunto. Minha família nunca foi extremamente religiosa e não existe uma definição. Acho que por conta disso, não me sinto vinculada a nenhum templo, ceita, terreiro... Quando preciso, apelo para todos eles! Peço a Buda, Gandhi, Alan Kardec, Santo Expedito ( tá, Santo Antônio às vezes...), Yansã, Yemanjá, Freud, Chuck Norris... Se sou atendida, faço agradecimento pra geral e fica tudo ótimo. Na verdade, o Deus que acredito é aquele que sinto.Que vejo no olhar dos meus amigos, no cuidado dos meus pais, no amor dos meus irmãos. No pôr de sol do Arpoador, na Cachoeira da Fumaça, na música de Bethânia. Por isso, não dá para classificar essa imensidão em uma nomenclatura humana. É reduzir demais! Soa até prepotente. Respeito aqueles que seguem fielmente suas religiões, às vezes até invejo, acho bonito os que aparentam uma fé inabalável. Mas eu continuo a acreditar no universo como sendo Deus. Que eu nem sei se tem nome. Me estranha chamar tudo isso de Deus, mas se é pra ser assim, eu tenho o meu. E o meu Deus, é tudo aquilo que me enebria de amor e magia. Amém!
Alí eu senti Deus.
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