domingo, 24 de julho de 2011

Leiga

Sempre que volto de um concerto, tenho vontade de escrever. Acabei de chegar de um, no Theatro Municipal. É engraçado observar as diferenças de comportamento dos cariocas e baianos. O concerto foi à tarde, as 16 horas, então eu, ingenuamente, pensei: "Ah, não precisa ir nas pompas né?!". Errado. O povo aqui é chique, bem. Ainda mais no frio e no Municipal. Tudo bem que não fui mulambenta, mas fui com minha roupa TCA. Caros soteropolitanos, roupa de TCA para o Municipal, é traje esporte. Pois bem, conformada com minha pequena gafe, sentei (no camarote, porque sou muito bem relacionada) para apreciar o concerto. Já disse antes que não entendo nada a respeito de instrumentos, notas, óperas, sinfonias. Vou porque gosto. Aí fiquei observando os músicos e comecei a relacioná-los com seus instrumentos. Os violinistas parecem ser gente bem chata, sabe? Aquele povo perfeccionista, que não deixa uma poeira sequer no móvel de casa e carrega álcool/gel na bolsa.Devem ser todos virginianos. A galera do baixo e o rapaz da tuba não são, mas deveriam ser todos gordos. O som deles tem cara de gente gorda comendo muito. A turma do Oboé...não sei, mas acho que eles queriam mesmo era ser maestro. Os flautistas não. Eles queriam ser hippies, tocar para as borboletas. Talvez o façam, quando se aposentarem. A galera das trompas...putz! Só podem ser doidões. Ficam soprando aquele troço, o olho esbugalha, a buchecha infla. Sei lá...eles tem cara de doidões, mesmo trabalhados no traje de gala. O rapaz dos tímpanos, bom, poderia facilmente ser professor de física. Muita cara de professor. Aí tem o povo do fundão. A percurssão. Na verdade, quando pequenos, eles sonhavam em tocar no trio de Daniela Mercury, no carnaval de Salvador. Os pais, muito preocupados, os matricularam numa escola de música a tempo de salvar suas almas. E o maestro. Aí a coisa é séria. Foi colega de Amy na adolescência, papai e mamãe mandaram pra rehab aos 16 anos, ele ficou por 2 meses, depois disse "no, no, no". Saiu de lá com diagnóstico de Esquizofrenia, frequentou psiquiatra e psicólogo, daí sublimou. Virou Maestro.



Brincadeiras à parte e deixando a minha ignorância de lado, um concerto é sempre uma delícia!

sábado, 23 de julho de 2011

And I wake up alone...


- Irmã, escute isso.
- O que é isso?
- Só escute.
...

- PUTA QUE PARIU! Quem é essa negona?!?!
- Negona? Acho que não... Essa é Amy Winehouse.


Discursos hipócritas, de gente careta e retrô, jamais diminuirão o valor da maior e única Diva que surgiu nos últimos 27 anos. Queria escrever muito, mas é desnecessário. Ela mesma estaria C-A-G-A-N-D-O pra todo mundo... Assim sendo, vou alí, tomar um bom conhaque.

Brindemos!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Dia do amigo...


...E eu longe dos meus. Eu sei que dia do amigo é todo dia, assim como dos namorados, pais, mães, crianças... Mas quando se está longe, as coisas tomam proporções diferentes. Não, eu não estou triste, chorando, nada disso. É só saudade. Vontade de pegar o carro e ir pro Edf. Caravelas me sujar de graxa. De ir na Federação, falar mal dos outros, fumar um cigarro e brincar de esconder com o guri. De cantar para ela que do nosso amor, a gente é quem sabe, pequena. Uma vontade de sair com a moça da rádio, sem que ela bata no fundo do meu carro desta vez. Hoje eu gostaria muito de calçar o meu scarpin amarelo e ir dançar, gritar e ouvir ele cantar "Evidências" como mais ninguém é capaz, só ele! Ou simplesmente ir almoçar com ela, que é tão diferente de mim, e tão igual... E xingar a cadela dela, só para não desfazer a minha fama de mal. Queria muitíssimo sorrir com o meu bocão, e ver o bocão dela sorrindo pra mim. Ou ligar para ela, e ter a certeza que tem coisas que ela só conta pra mim, mesmo com intervalos , mesmo com pausas, mesmo que uma barata tenha pousado no meu rosto enquanto eu dormia na sua casa. Ah, Eu queria. Eu queria mesmo...

"Onde vocês estiverem, não se esqueçam de mim!!!"

AMO VOCÊS!
"Do nosso amor, a gente é quem sabe, pequena...!"


PS.: À quem não fiz menção, nada de recalque hein?! Quem tem o meu amor, sabe que tem...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Confissão para Odete

Eu queria dizer que não consigo esquecer da gente. Não consigo esquecer da magia do nosso encontro, de como nos conhecemos. De como as coisas foram acontecendo atropelando o tempo, as distâncias, ganhando tanto espaço em mim. E eu me esforço, todos os dias para apagar. Mas, como já disseram por aí, de tanto tentar esquecer, eu me lembro. Quando não lembro, sonho. E acordo num misto de gozo e tristeza, do que hoje é só lembrança, do que não existe mais, além de dentro de mim. Busco incessantemente sentir raiva. Pensar em um momento ruim. Em um momento ruim sequer. Simplesmente não encontro. O que encontro me desola, só tudo de bom. Eu já tentei entender o porque desse desfecho, até fiz a cafonice de me perguntar aonde foi que errei, quando no fundo, sei bem que não foi questão de erros e acertos. A questão é que simplesmente não foi. E que você foi, mas eu fiquei. Migalhando num presente seu, encontrar-te em pedaços. Quando, em verdade, os pedaços são todos meus. Eu queria confessar a Odete que não consigo, mas preciso.





quarta-feira, 15 de junho de 2011

Correndo Perigo


Será? Será que é assim mesmo? Nós corremos perigo? Eu revezo, mas posso confessar que pouquíssimas vezes corri do perigo. É de mim, abrir os braços para ele, quase implorar que ele me pegue, num pega-pega na beira do precipício. Falo isso sem orgulho algum. Mas também, não que seja louvável esconder-se. Que graça tem, todo mundo correndo, pulando no esconde-esconde, e você lá, escondido na mesma moita desde o início da brincadeira? Qual é o sentido de participar, então? Eu não. Saio da moita, vou parar detrás da árvore, de uma flor, às vezes até me escondo atrás de um alfinete...doidinha para ser encontrada. Correr PRO perigo. É meio discurso clichê de adolescente rebelde. Mas eu já não sou adolescente (também não sou nenhuma velhinha tá?), nem tão pouco rebelde, mas qual o sentido de uma vida morna? Nem quente...nem fria...morna. Definitivamente, não nasci para meio termos. Eu também corro do perigo, com o perigo, para o perigo. Mas quando é ele quem corre atrás de mim... Ah! Aí eu abro os braços!!! O perigo é a pimenta da vida.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Mostre a Sua Cara!

Eu nunca entendi muito de política. Pra falar a verdade, eu entendo "necas". Não gosto, sempre achei tudo muito confuso, embaraçado e sujo e, por isso mesmo, decidi não tentar entender. Talvez esta seja a postura da maioria dos brasileiros. Acomodados com a esbórnia do país. Eu estava assim, alheia, até que Pedro (o Pondé) resolveu dar voz a sua indignação e abriu meus olhos. Fui pesquisar o que estava acontecendo e não pude acreditar. A construção da Hidrelétrica de Belo Monte está a um passo de se realizar. Eu nunca fui ativista, dado a minha repulsa à política. Mas no dia 03 de Junho, eu estava lá.


Eu fui, por ter tomado conhecimento de que a região que estão querendo inundar, abriga 174 espécies de peixes, 387 espécies de répteis, 440 espécies de aves e 259 espécies de mamíferos, algumas espécies endêmicas (aquelas que só ocorrem na região), e outras ameaçadas de extinção. Ao longo do Rio Xingu, vivem cerca de 13 mil índios de 24 grupos étnicos diferentes, que por séculos vivem alí e estão simplesmente sendo despejados. Não quero ficar aqui numerando tudo, porque sei que a maioria vai ler e pensar: "pff, que saco", mas enquanto nós achamos um saco, o projeto vai caminhando, o IBAMA vai licenciando, e o absurdo se concretizando. Concordo que precisa-se gerar mais energia, porém há outras formas . A Usina, além desses pontos, é uma idéia caríssima, que não vai gerar energia que compense tudo isso. E a energia eólica? E a solar? E a de biomassa? Não são opções?


Não se trata de ser ou não ser ativista, mas de ser gente. De realmente ser um humano. Eu nunca escrevi aqui com intenção de modificar alguma coisa no mundo. Na verdade, se escrevo com algum objetivo, é o de ajudar a mim mesma, bem assim, egoísta. Mas desta vez, eu sinceramente espero que consiga comover alguém (ou alguéns), como Pedro me comoveu. Precisamos deixar de ser conformistas, acabar com essa balela de que protestos não dão em nada. Só de estarmos nas ruas, nos manifestando, dizendo aqueles que estão no Poder que sim, "estamos atentos e fortes", já é "dar em alguma coisa". Eu estive no protesto e posso dizer que foi uma das experiências mais incríveis que já vivi. Uma energia fenomenalmente boa, pessoas juntas pelo nosso país. Que se preocupam para além de seus umbigos. Que estão se preocupando com a minha vida, a sua, a dos seus filhos e netos. Enquanto você está aí, sentado na frente do computador, achando que já faz o seu papel.



"A hidrelétrica de Belo Monte propõe o barramento do rio Xingu com a construção de dois canais que desviarão o leito original do rio, com escavações da ordem de grandeza comparáveis ao canal do Panamá (200 milhões m3) e área de alagamento de 516 km2, o equivalente a um terço da cidade de São Paulo. O custo estimado da obra é de 30 bilhões de reais. "



sexta-feira, 3 de junho de 2011

Respeitem minhas olheiras negras


Certa feita, um pseudonamoradinho atentou para as minhas olheiras:

- Você tem olheiras bem escuras né?
-É...tenho...
- Passa aqueles cremes pra clarear. Tem dia que tá muito escura.
- É...tem...

Alí se foi 30% do meu tesão por ele. Eu realmente tenho olheiras e escuras. Mas elas dizem tanto sobre mim. É como se me situasse no espaço. As minhas olheiras querem dizer que sou filha de Leila e Cacau. Prima de Mariana Tum e irmã de Nuno e Giulia. É marca registrada das minhas duas famílias. Também podem sinalizar o meu humor. Se estiverem escuras-suaves, tá sussa. Em estando roxa... chegue não! Mas nem sempre, na maioria das vezes tem aquela velha e óbvia ligação com a noite perdida do dia anterior. Só que aí, eu estou mesmo um urso panda, e o meu rosto todo também não nega que estive sensualizando na pista. O mais engraçado é chegar nos lugares super descansada, depois de uma noite delícia de sono refazedor e ouvir: Eta, que a noite foi boa hein?! Foi mesmo. Na minha cama que é lugar quente.

Eu gosto das minhas olheiras, assim como dos meus pés-de-galinha. São as minhas referências. O que me diz: você é Bastos de Aragão. Portanto, por enquanto, nada de rodelas de pepino, tá?

E, a propósito...a vontade que me deu, foi retrucar pro meu afair:

-Pois, tenho olheiras escuras...posso passar cremes. E quem tem pinto pequeno?

rsrs. Brincadeirinha!!!!!