segunda-feira, 1 de março de 2010

Memórias póstumas de um beijo sem lembrança

"Difícil traduzir a sensação que tive quando nos rendemos àquele meteórico beijo. Pensei em tantas coisas em tão pequena fração de tempo que pensei em quase nada. Ou nada sólido. Pondo a canto a positividade ou não das emoções, seria, talvez, como ter á testa o algor de um cano de revólver. Nesse momento se pensa em tudo e nada ao mesmo tempo. Como se toda uma vida, o que se foi e o que deveria ser, passasse tão desenfreadamente pela cabeça que não fosse possível ordenar um pensamento sequer. Resta apenas um aspirante e quase subconsciente talião a ecoar como um bordão: vou morrer!, vou morrer!. A mesma ressonante inoportuna domava meus sentidos ao passo que a boca molhada com gosto de não-me-lembro-o-quê degustava solitária o ósculo por tanto e tantos desejado: Vou morrer!, vou morrer! Se senti outra coisa enquanto beijava Chico, o Buarque, não me recordo. "

** Conto de minha amiga (e figuraça) Nyala. Porquê onze, de cada dez mulheres, querem o Chico!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Eu sou brega.

Eu estava alí, deitada, tentando tirar um cochilo antes de cair na noite de sexta...mas não consegui. Desliguei a luz, a televisão, mas não adiantou, porquê dentro de mim não se fez silêncio. Uma angústia por não sei o quê, uma ansiedade que vem não sei de onde. Coração tão apertado...quer dizer, na verdade acho que o contrário. Acho que meu coração infla. Infla tanto, tanto que toma o corpo, a cabeça. E eu posso sentir cada batida dele. Isso acontece com vocês? A agonia é tanta que se sente cada batida que o coração dá, numa ressonância tão forte que parece até que o coração está parado, e o que esta batendo é o corpo todo : "TUMMM MMM MMM MMM". Eu fico de saco cheio de mim. Dessa minha mania de querer amar, de querer um amor. Não consigo viver sem estar apaixonada. É sempre tudo tão intenso, que ao fim de cada emoção eu me sinto esgotada. E eu não falo de estar apaixonada por homem, necessariamente. É estar apaixonada por uma amizade, um livro, uma banda, uma cidade, de uma forma tal, que não me passa outra coisa pela cabeça que não tenha relação com a paixão do momento. Estou cansada de ser assim, quero sintonizar. Sabe? Nem alta estação, nem baixa estação...tipo assim, primavera.


Eu amo demais. E cansei .




"...Basta um instante

E você tem amor bastante."
(P. Leminski)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

De repente, nós.

A importância de um sentimento está na intensidade com que ele acontece, e não no tempo. Fato comprovado. Na minha vida, tudo sempre acontece no "de repente". Tava tudo bem, aí de repente... Tava tudo horrível, aí de repente... Tava tudo calmo, aí de repente... De Repente é carnaval! De Repente, é Recife. O colorido de suas ruas, dos seus blocos de fanfarra e maracatu, da tradicional Olinda. É impressionante como aqui em Salvador nós não fazemos noção do que é BRINCAR CARNAVAL, no sentido literal da palavra. São concepções diferentes de diversão. Em Pernambuco, as pessoas realmente brincam. Adultos, crianças, idosos. Todos põem suas fantasias e vão as ruas cantar as marchinhas. "Oliiinda, quero cantar a tii, esta canção...". Muito bonito! Sem falar nos shows que vão madrugada a dentro, numa festa de ritmos e sons para todos os gostos. Um carnaval multicultural, como eles dizem por lá. Reunião de todas as tribos e respeito a diversidade. Amei Pernambuco, com todas as forças. Amor no bater dos olhos. Quem disse que não se pode amar assim, num rompante? Paixão a primeira vista; vista de olhos verdes e íris amarela. Pés andarilhos, coração nômade. Que cantei, que dancei, que me entreguei, que tem uma admirável beleza. Que me leve. Que te guardo.






sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Caracteres

"Restituo ao público o que ele me deu; dele peguei emprestado a matéria desta obra; é justo que, depois de a ter concluído com todo o respeito pela verdade de que sou capaz e que merece de minha parte, eu faça ao público essa restituição. Poderá contemplar com prazer este retrato, que dele fiz segundo o original e, se reconhecer alguns dos defeitos que aponto, procurar corrigir-se. É o único objetivo que se deve ter ao escrever e também o resultado que menos se deve esperar, mas, assim como os homens não desistem do vício, não se deve tampouco deixar de recriminá-los por isso.Talvez seriam piores, se viessem a faltar-lhes censores e críticos; é o que faz com que se fale e se escreva. O orador e o escritor não poderiam esconder a alegria que sentem ao ser aplaudidos, mas deveriam envergonhar-se de si próprios se, por seus discursos ou escritos, só tivessem procurado elogios; a aprovação mais sincera e menos equívoca é resultante da mudança de costumes e da reforma moral daqueles que os lêem ou escutam."

"[...] Aqueles, finalmente, que se dedicam a escrever máximas querem ser acreditados. Eu consinto, ao contrário, que digam de mim às vezes que não observei bem, desde que me provem ter observado melhor que eu."

** (Jean de La Bruyère, em "Caracteres".)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Maria Bethânia: o desfecho.

...E lá se foram nada mais, nada menos que 25 dias de espera. Cada dia contado desesperadamente. No dia 23/11 eu pulei da cama: "Meu Deus, não acredito, é hoje!". Ansiedade era o meu nome. Liguei para minha amiga que também iria comigo para dividir a emoção, e eis a surpresa: "Amiga, acho que não vou não, não estou me sentindo bem!". Eu imediatamente pensei: "Só pode ter amputado as pernas e os braços...essa é a única justificativa para alguém em sã consciência e com ingresso na mão, deixar de ir para o show de Maria Bethânia". Pensei, mas não falei. Azar o dela! Lembrei que no dia anterior eu estive conversando com um grande amigo (Alvinho), a respeito do show, ouvimos o cd novo, e ele super fã também, falou cabisbaixo: "Poxa, queria tanto ir...". Hááá! Não deu outra! "Alvinho, tem ingresso pra você ir, quer?"; "MENTIRAAAA! Claro que querooo!". Deu 18hs , saí do trabalho, e a essa altura minha cabeça não funcionava mais. Só pensava no show. Passei pra buscar minha irmã no trabalho. Ela era outra que estava em cóóólicas de ansiedade. E eu ligando pra Alvinho pra saber aonde ele estava: "Tô aqui em Brotas, indo no Costa Azul trocar de roupa!Tô de bermuda e chinelo"; "Alvinho, NÃO VAI DAR TEMPO!". Eu e minha irmã chegamos na porta do Teatro Castro Alves as 19hs. Começou a espera por Alvinho. "Velho você tá aonde?"; "Tô chegando! Peguei uma roupa de um amigo aqui no caminho!". Hééé! Estão vendo, fã é fã. Alvinho chegou faltando dez minutos para o início do show:



Antes de entrarmos no teatro lembramos de tomar uma importante providência: Um rolo de papel higiênico "emprestado" do banheiro para eventuais e certeiras lágrimas derramadas durante o espetáculo.Entramos no teatro e tomamos os nossos assentos. Aqueles segundos que antecedem o início do show são de matar...Não mais do que os três toques da sirene avisando que vai começar. Minha barriga revirava, minhas mãos suavam. E eu ouvi a voz dela, a cortina subindo, as rosas vermelhas aparecendo. Não dá pra definir a emoção. A partir de então, hipnose total. O show, além da voz ÚNICA de Bethânia, contava com uma estrutura surreal, entre cores e acordes que só uma artista do "calibre" de Bethânia poderia oferecer. Maravilhoso, Maravilhoso. Um sonho mesmo. Não tenho a menor capacidade de traduzir aqui toda a emoção que aquela uma hora e meia de show me fez sentir.Estávamos os três, eu, Alvinho e Renata, em transe. Quando acabou o show, ela ainda voltou pro bis cantando "Reconvexo"...Lançando a areia do Saara sob os automóveis de Roma. Foi tudo. Saímos do show ainda sem acreditar em tudo que tínhamos visto e ouvido. Tinha um pessoal lá vendo Dvd's e Cd's de Bethânia, mostrei a Alvinho porque sabia que ele queria. Ele comprou um dos Cd's novos, o "Encanteria", e me falou: "Amiga, é pra você. Jamais poderia agradecer a oportunidade que você me deu." . Ai gente, típico "grand finale" né?! Acho que não preciso dizer mais nada.

SURREAL.

E eu não poderia ter ido em melhores companhias. AMO!

PS: O rolo de papel higiênico foi muito bem aproveitado. Nossas maquiagens (minha e de Renata, claro) agradeceram.rsrs

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Maria Bethânia: A saga.

Estava eu futucando a internet, quando vi o anúncio do show de Bethânia: "caralho rei, não acredito." Só que pra minha angustia, quando eu vi, os ingressos já tinham uma semana que haviam começado a serem vendidos: "caralho rei, não acredito". Mesmo assim fui lá e, como era de se esperar, haviam esgotado. Me conformei, com aqueles pensamentos que a gente inventa pra se consolar: "você não ia ter dinheiro pra comprar", "logo vai ter outro show dela aí". Mentira, tava virada no 600. Aí foi chegando perto do feriado de finados, que é um dia depois do aniversário de minha irmã. Aí eu pensei: "pô, preciso ir pro Capão. Preciso me desligar do mundo...Renata vai me matar se eu não for no aniversário dela, mas eu necessito do Capão." Pedi um PAItrocínio. Com o dinheiro na mão, voltando da faculdade e ouvindo a rádio, eis que se anuncia: "A cantora Maria Bethânia fará uma sessão extra no dia 23/11, no TCA. Ingressos a venda." Aí eu olhei pro dinheiro, ele olhou pra mim. Eu olhei pro Capão e Bethânia me olhou. Saí acelerando rumo ao balcão de ingressos. Cheguei lá e me deu um medinho de perguntar se ainda tinha ingressos... não ia suportar mais essa frustração. Só que cheguei lá as 11 da manhã, e o balcão só abria ao meio-dia. Uma hora de espera que pareceram 24. E a fila se formando atrás de mim, uma tensão da zorra. Só tinha uma senhora na minha frente. Abriu o balcão, e a senhora pediu ingresso de Bethânia... e eu vi que tinha! Aqueles lá em cima, no fundo, mas tinha. E a senhora: "Ah, muito longe, não sei se eu quero não... Dá pra ver alguma coisa? Não sei se eu quero não... Longe né?". Ahhhh que agonia!!! Pedi licença a ela e falei com a vendedora: Eu quero esse longe aí mesmo, quero três. Comprei o meu, o de uma amiga e resolvi comprar um pra minha irmã de presente de aniversário, tinha certeza que ela ia morrer com a "surpresinha!". Ingressos nas mãos. Eu me tremia toda! Nunca tinha ido a um show de Bethânia. Fiquei sem saber o que fazer, pra quem ligar. Liguei pra minha irmã: "Velho, vou te dar o melhor presente de toda a sua vida! Você não tá entendendo". Ela se desesperou na curiosidade. Fui no trabalho dela, não tava aguentando de ansiedade, precisava dividir com alguém que também fosse vibrar junto comigo. Fomos almoçar juntas e ela: "Oxe Lorena, fale logo aí o que é!". Pedi pra ela abrir a mão e entreguei o ingresso: "CARALHO REI...CARALHO VELHO, NÃO TÔ ACREDITANDO!".A coitada quase infarta! Foi um tal de chorar de me abraçar, de xingar, que só vendo...
...Continua na próxima postagem...rsrs

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Doces Bárbaro e Rita Lee

Eu não gosto de escrever no rompante da idéia. Sempre espero que as coisas se organizem para que possam ser retratadas, mas hoje resolvi fazer diferente. Estou discorrendo, assim, pensamento livre. Sem saber muito o porquê nem aonde isso vai dar. Experimento uma sensação de liberdade do pensamento, dos dedos, das sensações. Deixar que vocês me leiam. É o que faço, estou deixando que vocês realmente me leiam. Talvez essas linahs desordenadas falem mais de mim do que o muito organizado dos outros textos. E por incrível que pareça, o fato de me expor assim, nua, não me deixa constrangida nem envergonhada. Me sinto rasgando a camisa e me entregando. Loucura. Esqueçam isso, não sei do que estou falando. Escrevendo. Ah! Transmitindo, que seja. Mas espero que vocês tenham entendido. E, se entenderam, opr favor, me expliquem. Vocês são a tecla SAP de mim. Apesar de eu não saber que vocês são esses. mas tudo bem. Nem vocês, nem eu, nem ninguém.